RH, para onde estamos indo?

Estou trabalhando na área de pessoas a mais de 7 anos, percebo que cada vez mais a evolução desse “setor” se dá a tecnologia em analisar em como as pessoas podem aumentar o seu nível de entrega, tentando entender como elas se sentem felizes, o que motiva cada um, o perfil de liderança, o perfil de gestão… E na maioria das situações, remuneramos melhor e reconhecemos quem entrega mais, a velha “Meritocracia”.

Mas você já parou para pensar o que realmente quer dizer entrega?

Vamos lá, no meu entendimento o nível de entrega de cada pessoa é exatamente o mesmo a sua vida inteira, o que muda é a sua prioridade, é para onde você está olhando. O seu nível de entrega com 5 anos e com 30 é igual, você só tem prioridades diferentes, então a entrega se torna muito complexa de se medir.

Vamos supor que nossa vida é dividida em 5 grandes pilares, sendo eles: Família, Amigos, Lazer, Trabalho, Eu. Somando estes 5 pilares temos um total de 100%, sendo que para cada um dou 20% do meu tempo, isto em um estado ideal de equilíbrio.

Transformando em números, normalmente um trabalho padrão eu dedico 5 dias por semana para trabalhar e 2 dias para minha folga, então em um período de 30 dias, 22 eu dedico mais tempo ao trabalho e 8 dias aos outros pilares.

Se cada dia possui 24 hrs, destas eu uso 8hrs para dormir, 3hrs para minhas refeições e 1hr para deslocamento, me sobra apenas 12hrs no dia, destas, 8hrs eu trabalho e as outras 4hrs dedico aos outros pilares da minha vida.

Nos outros 8 dias em que não trabalho, dedico estas 12hrs que me sobra para família, amigos, lazer e eu.

Eu sei que não é legal ficar lendo esse monte de números, mas acredito muito que vale a reflexão, coloquei eles abaixo de uma maneira mais clara para entender.

Para fazer os cálculos abaixo retirei 12hrs-dia, sendo 8 horas de sono, 3 horas de refeições, 1 hora deslocamentos. Um valor aproximado que usamos todos os dias.

  • Trabalho = 176hrs/mês de um total de 360hrs/mês = 48% de tempo de Vida “produtivo”.
  • Calculo baseado em 22 dias por mês x 8hrs-dia de trabalho.
  • Sobra 13% para cada um dos outros 4 pilares = 184hrs/mês de um total de 360hrs/mês.

Será que realmente temos que pedir 49%, 50% ou 60% da vida de alguém pra melhor recompensar ela?

É isso que de fato vai fazer a diferença ou vai gerar mais desequilíbrio?

Comecei a me questionar sobre isso e algumas fichas começaram a cair. Se meu nível de entrega é de 48% para o trabalho, eu tenho que tirar de outro pilar da minha vida para entregar mais para o trabalho, mas então eu não estou falhando na minha entrega em outro pilar ou pilares? Quem definiu qual pilar é o mais importante, não deveriam ser todos?

Volto com o questionamento: como medir a entrega? De qual delas estamos falando?

Muitas vezes estou entregando muito em algum pilar, mas estou tirando de outro, isso gera um resultado, como ansiedade, estresse, depressão e outras tantas doenças. Neste caso, quando estou no trabalho não fico 100% presente, estou pensando em como recuperar a porcentagem que estou tirando de outro pilar, podendo ser Família, Amigos, Eu ou Lazer. Consequentemente não vou conseguir ter uma entrega de qualidade, por mais que esteja dedicando a maior parte do meu tempo.

Moral da história: precisamos enxergar as pessoas como um todo, em todos os pilares da sua vida, não adianta só pensarmos dentro da empresa e premiar aqueles que mais se entregam ali, será que eles não estão deixando de entregar em outros lugares?

Exigimos tanto desempenho e comprometimento, mas da onde vou ter que diminuir meu desempenho e comprometimento para entregar para apenas um pilar?

Eu acredito que precisamos ter o equilíbrio de 20% nestas 5 grandes áreas da nossas vidas, só assim vamos estar presentes no que estamos fazendo, entregando algo com qualidade e mantendo o nosso equilíbrio. Será que todas estas doenças e conflitos que nos deparamos todos os dias não é por falta deste equilíbrio?

Por que não podemos trabalhar menos horas do nosso dia e o resto dedicar aos outros pilares?

Somos condicionados a trabalhar 8, 10 ou 12 horas por dia das nossas vidas, quase que eternamente, por isso acabamos fazendo nosso trabalho meia boca ou deixando as coisas para depois, ainda somos escravos do trabalho.

Já imaginou se conseguirmos de fato estar presentes apenas 3 ou 4 horas do dia ao trabalho?

Estando equilibrado em todos os pilares da minha vida, será que não entregaríamos mais? Será que não seriamos mais criativos? Será que não seríamos mais saudáveis? Será que não seríamos mais amorosos? Será que existiria tantas doenças? Será que não estamos em um ciclo vicioso?

Eu acredito que isto envolve um certo nível de auto questionamento e auto conhecimento, não sei se o que eu escrevi faz sentido para todas as pessoas, mas gostaria muito de deixar esta reflexão.

Texto cedido gentilmente por Fernando Pante

Bela Pagamentos | www.belapagamentos.com

 



1 comentário

  • Letícia Pacheco

    Bem interessante este artigo! Gostaria de contribuir deixando meu depoimento de que para mim faz muito sentido, pois a medida que me dedico mais e mais ao trabalho, sinto os outros aspectos da minha vida perdendo força ou tornado-se mais carentes. Essa constatação me traz uma sensação de impotencia e me faz recordar o mito onde se passa a vida toda enchendo um vazo de sementes que não possui fundo. Muito esforço e pouco resultado! O Tempo destinado a os outros aspectos torna-se neste caso, um refugio para o descanso e reposição de energias, roubando novamente a energia de momentos que certamente destinariam mais satisfação e equilibrio neste dinâmica.

    Obrigada pela oportunidade desta reflexão.

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